Você está desanimado(a) com os estudos?
- Dec 6, 2018
- 6 min read
Updated: Jan 4, 2019
Com certeza você conhece um tipo de pessoa, daqueles que tem tudo para dar certo, mas que está passando por uma fase de desânimo, procrastinação, stress, ansiedade e até mesmo falta de autoestima e confiança, não é mesmo? As vezes é aquela pessoa que você encontra no reflexo do espelho...

De vez em quando nós caímos nessa fase ruim, na qual nossa realidade não condiz com as nossas expectativas e acabamos por nos frustrar. Isso é muito comum e vai acontecer diversas vezes na vida. No entanto algumas pessoas acham que isso é patológico e deve ser resolvido o quanto antes afinal: (1) o japonês X está estudando enquanto você está se lamentando; (2) você precisa ter altíssima concentração e altíssimo desempenho para ontem; (3) ler um livro e compreender 100% dele e já articular com excelência esse conhecimento; (4) fazer uma lista de exercício e gabaritar todos, afinal você já assistiu uma videoaula de meia hora sobre isso, não deveria errar. Certo? Uffs, deu até canseira e pois é, não é bem assim...
Já parou para pensar o quanto de sua energia você investe pensando em formas de se culpar pelo seu processo de desenvolvimento? Essa verdade as vezes dói em algumas pessoas, mas tente compreender isso: você é um ser humano e está desenvolvendo habilidades que ainda não possui (se possuísse, você não precisaria estudar), ou seja você está A-P-R-E-N-D-E-N-D-O, e isso significa que você precisa errar, precisa ter dúvidas, precisa não entender nada, precisa se sentir desafiado. Não é romântico ser infalível, indestrutível, vulnerável... Mas faz parte do que somos, cada um tem uma forma de demonstrar isso e faz parte da nossa condição humana. Justamente ao passar por esse processo é que conquistamos um "up" na nossa evolução pessoal, moral, intelectual, emocional e social.

o que fazer se o seu estado emocional/psicológico não está te favorecendo?
Você pode começar com uma troca, buscando situações e experiências que devolvam brilho para os seus olhos, que te encantem o coração e a alma, ocupando o espaço que antes era desse incômodo. Algumas pessoas chamam isso de hobbie, outras de lazer, cultura, etc.
Tente diversificar suas atividades e as pessoas que você conversa nas próximas semanas. Desafie-se a ter novas experiências, procure conhecer os museus ou parques que tem na sua cidade, tente cozinhar algo novo, vá a uma peça de teatro popular, pegue um livro na biblioteca pública perto da sua casa, vá em eventos abertos da faculdade que você deseja ingressar, estude primeiros socorros, enfim... Proponha a si mesmo uma coisa nova, vá e faça (...o melhor que você pode nas condições que você tem agora - o que te faltar de recursos, faça sobrar em criatividade, combinado?).

Edward Bach, um conhecido médico inglês por sua contribuição no tratamento de desarmonias em personalidades, recomendava um preparado energético das flores douradas de Willow para as pessoas que sofreram alguma adversidade, ou desgraça, e acham difícil aceitá-la sem queixas ou ressentimentos, afinal elas julgam a vida pelo sucesso que ela traz. Indicou para aqueles que sentem que não merecem tão grande provação e que isso é injusto, tornando-se amargurados. Frequentemente, essas pessoas evoluíam de forma a se tornar menos interessadas e menos ativas naquelas coisas da vida que antes tanto apreciavam. (Quem nunca passou por isso?) Mas o Dr. Bach acreditava que desse mesmo sentimento, poderia renascer otimismo e esperança, se tratava do mesmo tipo de energia / consciência. Afinal, quando decidimos ser mais generosos com os outros e passamos a reconhecer que nossa postura negativa acaba atraindo o azar de que tanto nos queixamos, mudanças acontecem. Eu acredito que só tomar consciência desse padrão já pode promover transformações no estado de espírito... as vezes ajuda também se somar o cheiro de café fresquinho ou de uma comida que você goste a esse processo. Tudo torna-se mais leve e agradável.
Mas, se você estiver precisando muito de ajuda para lidar com isso, para dar os primeiros passos em se libertar desse ciclo angustiante, tente buscar apoio profissional ou a ajuda de pessoas que você sabe que podem lhe oferecer aquilo que você precisa. Não deposite essa responsabilidade nos ombros de qualquer pessoa pois ao invés de ajuda você pode conseguir aumentar seu sofrimento.
Mas de qualquer forma gostaria de deixar um trecho acerca da lei Hahnemann, apesar de não ser 100% fã da prática de homeopatia. Achei os dizeres muito interessantes, pois dizem respeito a nossa construção de responsabilidade pessoal, nossos primeiros passos sendo de fato adultos com um certo poder de independência quanto ao destino da própria vida:
"[...] não repetir enquanto a melhora está ocorrendo... ... Se tiverem um amigo que sofreu uma grande perda e está desesperado, podem, no início, fazer visitas frequentes para dar ânimo e confortá-lo; mas conforme ele for se reconciliando com a vida, as visitas poderão ser mais espaçadas. [...] como Hahnemann previu, o indivíduo também precisa travar suas batalhas e não tornar-se dependente nem mesmo de remédios benéficos. Por isso, quando estiver melhor, precisa lutar sozinho tanto quanto possível, só pedindo ajuda quando for realmente necessário." - A Terapia Floral. Escritos selecionados de Edward Bach da Editora Ground
Conciliando estudos com qualidade de vida = Level UP!

Já dizia o aforismo grego: "Conhece-te a ti mesmo."
Tente separar o que é opinião dos outros; o que é sua expectativa; o que são seus medos; o que é cobrado no edital da prova; como é a forma que você estuda mais efetivamente; quais são os sinais que você está ultrapassando seus limites; o que te repõe a energia?
Estudar é um ato fenomenal e de privilégio, uma vez que nos desperta curiosidades e sentimentos que não aparecem de outra forma. É o estudo que nos permite conhecer e desenvolver habilidades específicas. Não deixe isso se perder para se submeter a uma cultura doentia de estudos. Seja o tipo de pessoa que vai buscar conhecimento não somente para passar numa prova de vestibular, mas sim para aplicar na vida, para viver melhor, para proporcionar experiências melhores para você e para os outros.
E para isso, você precisa gerenciar seu tempo e energia adequadamente: dormir, comer comidas mais saudáveis, cuidar da higiene pessoal, exercitar o corpo, diversificar atividades e ter um tempo para seus hobbies, sejam eles quais forem.
Há quem discorde de mim e defenda que vestibular tem que ser o ano de foco total, de privação, e de sacrifício. Mas eu fico pensando aqui com os meus botões: passar na faculdade vai exigir o mesmo comprometimento (em um nível até maior), e por quanto tempo uma pessoa vai aguentar essa privação, sacrifício e foco total? Os índices crescentes de burnout e suicídio não falam por si só? Amiguitcho, eu sei que dói, você não é super herói. Apesar de ser extraordinário e com tantas qualidades, você ainda é um ser humano! Sua energia é finita! Exaustão física e mental acontecem com qualquer um.
E ainda mais: se tirar um ano só para estudar fosse o segredo e o único método para entrar na faculdade, o que você diz das pessoas que fizeram isso e não passam de primeira? São burras? Não estudaram direito? Leram o livro inteiro ao invés do resumo? Fizeram um resumo colorido ao invés de um preto e branco? Foram estudar em um museu ao invés de ver as obras por videoaula? Usaram apostila de 2016 ao invés de 2017? Qual vai ser a desculpa agora?

A concorrência é grande, são muitos interessados para poucas vagas, os métodos de seleção muitas vezes são falhos, injustos, longe de ser o ideal. É um desafio passar no vestibular, mas não será o maior deles.
E justamente por ser um processo que seleciona as vezes menos de 5% do total de inscritos, não existe método ideal, método infalível. Se houvesse, todos tinham passado, não é mesmo?
O estilo do vestibular somado a sua bagagem de conhecimentos atuais são os 10% do que acontece com você, então use os outros 90% para reagir e agir sabiamente sobre isso. Se arrisco em apoiar "métodos", seria o da persistência, quem continua tentando geralmente consegue ;)
Com isso, reforço o meu voto a conciliar os estudos com uma vida que se sustente ao invés de perder a vida com ilusão de estar adquirindo algum estudo útil. Se me dizem que precisa ter muita coragem para negar todo o resto e focar somente e apenas nos estudos, eu digo que tem que ter muita coragem para ir na contramão dos desejos alheios, reconhecendo a realidade dos desafios que nos são impostos e mesmo assim respeitar o próprio tempo, processo e corpo biológico, usando sábia e responsavelmente o tempo que possui para fazer o que deve ser feito sem radicalismos.
Preste bem atenção amiguinho, conciliar estudos com a vida não significa tirar férias indefinidamente das suas responsabilidades reais. Tô de olho heim, rsrs
Caso não seja suficiente, recomendo:
Os perigos de estudar demais: http://www.dm.com.br/cotidiano/2017/01/os-perigos-de-estudar-demais.html
Cuidado, excesso de estudo pode levar ao stress: https://www.gazetadopovo.com.br/blogs/lingua-solta/cuidado-excesso-de-estudo-pode-levar-ao-estresse/
Medicalização da Educação: a quem interessa?: http://encenasaudemental.net/comportamento/insight/medicalizacao-da-educacao/
Fórum sobre medicalização da educação e da sociedade: http://medicalizacao.org.br/





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